Falar de herculano da costa (em minúsculas, como sabemos que ele gosta), obriga-nos a retroceder até aos anos 80, altura em que fundou o Semanário VISEU/informação, tendo sido seu Director por 26 anos ininterruptos. Puxando pela memória, talvez tenhamos de ir ainda mais longe e recordar os tempos em que, na sua qualidade de Jornalista, mantinha em dia a correspondência com quase todos os Jornais nacionais existentes na altura: «Diário Popular», «Diário de Notícias», «Tempo», «O Dia»,  «O Século», etc.

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Nascido e criado em Viseu, cidade de que muito se orgulha, herculano da costa foi sempre uma figura ligada ao jornalismo, tendo começado, desde muito novo, a colaborar activamente na Imprensa Regional.

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Nunca pintou nem nunca pensou pintar, não obstante conviver intimamente com Artistas consagrados e de, ao longo dos tempos, ter escrito bastante sobre eles, a sua vida e as suas Artes.

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Recentemente, como que por «milagre dos Céus», num súbito, herculano da costa começa a brincar com as aguarelas e percebe que os seus pincéis também podem contar histórias, também podem escrever vivências, reflectir mundanidades, questionar o espaço de todos e de cada um  nesta sociedade cada vez mais controversa.

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Pintar, portanto, tornou-se um acto espontãneo e natural para quem sempre gostou de analisar, de reflectir, de intervir e de comunicar.

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E a linguagem do Artista está aí, nos papéis e nas telas onde as cores se entrelaçam harmoniosamente e dançam regidas por uma batuta imaginária, desobediente, absurda por vezes, mas com uma dimensão estética que desafia constantemente o espectador. Por entre a paleta de  cores quentes e vibrantes que usa nos seus trabalhos, adivinha-se um rendilhado de ilusões e alusões, espaços brancos que preenchem memórias e obrigam a esbugalhar os olhos de quem olha – também com a Alma.

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Na obra de herculano da costa não existe uma racionalidade asséptica e o que salta imediatamente aos olhos é uma clara e propositada ruptura com «o que vem nos manuais», com o que se ensina nas escolas, com o certinho e o adequado.

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Na sua primeira aparição em público, em 2018, e em meio de inúmeros Artistas consagrados, herculano da costa conquistou uma «Menção Honrosa» com a sua aguarela «une femme dans le ville», no concurso «Pintar Viseu/Lugares com História», uma iniciativa da Junta de Freguesia de Viseu. Posteriormente, este organismo decidiu adquirir a obra para juntar à sua já vasta colecção.

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Aos poucos, o trabalho do Artista espalha-se pelo Mundo, aumentando assim a sua responsabilidade cultural nesta viagem tão inesperada quão assombrosa, sobretudo para alguém que se vê  confrontado/dominado pelo «despertar tardio» de uma insuspeitada vocação; e, ainda, sobretudo, porque herculano da costa não faz parte de «geração» alguma no campo das Artes e não se lhe reconhece qualquer tipo de «influenza» proveniente dos chamados Grandes Mestres da pintura.

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Convidado para expor individualmente no conceituado restaurante ZAMBEZE, em Lisboa, e no Museu de Arte Contemporânea da Quinta da Cruz, em Viseu.